Ando pela rua

Perdido por aí

A cidade escura

Tropeço sem cair

 

Ando pela rua

Não tenho ninguem

É noite de chuva

Ando pela rua

 

Dói tanto de saudade

Tenho medo de esquecer

Seu rosto

Seu sorriso e sua voz

Tenho dito e ponto

Não me faça repetir

O que você sempre soube

Mas preferiu fingir 

 

Estou partindo

Já é tempo

Pertenço à lugar nenhum

À você uma dose de lamento

E um trago de bourbon 

 

Um café

Um cigarro

Nessa estrada eu vou só

Toda dor

Toda mágoa

Toda mágoa há de curar

 

Bourbon blues

Errante como bourbon 

Explodi a ponte

Derrubei as cercas

Esmurrei tua porta em vão

Você partiu

E levou junto o meu coração

O coração de um

 

Vira-lata na beira da estrada

Esperando o que vai acontecer

Nenhum osso, nenhum destino

Onde será seu proximo amanhecer

 

Blues é a vida de um cão

Sem um fio de esperança  

 

Sem teto ou compaixão

Cão ferido

 

Vira-latas blues

 

Beco escuro,  perigo iminente

Nessa vida, selva de sombras

Todo dia nessa luta insana

Olho por olho e dente por dente

Hoje

Sou mais forte

 

Hoje

Sei quem sou

 

Tenho 6 cordas de aço

Nervos de pedra

 

E ao abismo ao abismo

Nao voltarei

 

E o tempo tempo tempo 

tempo que passou

 

Congelou meu coração

Engessou minha alma

 

Se há esperança eu não sei

Até onde o mar em fúria avança eu não sei

Se vai haver bonança e paz

 

 

E quando você for me procurar

Rastejando por perdão

Que eu nao poderei te dar

Amanheceu

Nossos corpos nus

O seu perfume

Nosso suor

 

Toda a paz do mundo

Viver assim é...

 

Escuto o som que invade a madrugada

Da janela o galho enverga ao vento

A felicidade engana o tempo

A estrada expõe os vincos da minha cara

 

Aconteceu

E hoje somos um

O seu sorriso

Meu mau humor

 

Toda a paz do mundo

Viver assim é

Ser feliz

Ser feliz

Numa capa de Coltrane

Uma foto desbotada

O sorriso de uma dama

As lembranças do passado...

 

No papel que se desfaz

Tão marcado pelo tempo

Dedicava em letra doce

From your Little butterfly 

 

O inverno que se faz

E o vento  frio de saudade

O coração que sangra

Por onde anda butterfly 

Vampira mimada

 

Você fumou do meu

Você bebeu da minha, garota

O que eu penso de você 

Cabe em menos de uma linha

 

Me vendeu um amanhã ensolarado

E eu comprei

Comprei tuas nuvens de algodão

Comprei tua cara de santa

Teu pacote traição

 

Você é

Mimada, bajulada

Fazendo de coitada pra se dar bem

 

Chupa sangue e cospe fogo

Garota...

vampiro dragão

Se tudo deu Errado

E a esperença já se foi

 

Amanheceu nublado

Nao quer dizer que o sol morreu

 

Lá no alto desse vale

abutres à sorrir

 

Junte os pedaços

Cole os cacos

Volte a existir

 

Se você é culpado

Carregando toda a dor

 

Nuvem negra nuvem negra

Tanta ira sobre mim

 

o peso dessa Terra

So os fracos nao choram

Só os tolos e mortos não erram

Um documento

Assinado

Todo ele escrito a mão

Seu diabo apareça

Vem provar se existe ou não

 

Papel de seda

Letra redonda

Nada lembrava o coisa ruim

Mas assinava: capeta

E pedia perdão pra mim

 

Fazendo as pazes com o diabo 

Até que ele apareceu

 

Sentou-se a mesa 

Terno e gravata

Perfume caro e na porta um carrão

Pregava paz, se desculpava                

Por tanta desilusão

 

Sorriso largo

Dente de ouro

Olhar profundo, pegou na minha mão

Desejou felicidade

Que até tocou meu coração 

 

Pazes com o diabo

Pazes com o diabo

 

Quando se foi levou minha alma

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